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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Rádio Peão e a responsabilidade corporativa compartilhada

Por Thairine Teixeira

Como já visto até o momento, a rádio peão pode ser considerada uma grande inimiga das organizações no que se refere à construção de relacionamentos duradouros. No entanto, este é um processo que acontece em maior ou menor grau, a depender dos grupos de pessoas envolvidos, que naturalmente possuem a necessidade de se comunicar em relação a um assunto em comum: o ambiente de trabalho.  

É fundamental ressaltar que, a rádio peão também existe entre profissionais que atuam na alta direção de uma empresa e não somente existe para a grande maioria das pessoas que trabalham neste universo. Portanto, não se sinta “ofendido” se você faz parte deste grupo e/ou contribui para a existência dele; afinal, quem nunca deu ouvidos aos cochichos e novidades em algum momento da vida profissional que atire a primeira pedra, não é?

De qualquer maneira, a comunicação interna de uma empresa deve ser norteada pelo comprometimento dos profissionais que tem a função de reforça-la dia a dia. Muitas vezes, situações desagradáveis no trabalho são resultados de uma carência no direcionamento da mensagem e/ou de uma política clara de gestão do relacionamento.
  
A responsabilidade de todo e qualquer tipo de produção de uma empresa é resultado de um esforço coletivo. Com a comunicação não deve ser diferente, e por isso, ela deve ser compartilhada. Apesar de não ser oficialmente aceita pela empresa, a rádio peão faz parte da comunicação corporativa e os formadores de opinião são muito importantes no alerta ao que deve ser aprimorado naquele ambiente.

Aprimorar a cultura de comunicação de uma empresa não é uma tarefa simples e, além disso, depende de dois fatores centrais para o seu sucesso: um meio eficiente para fazê-la e a disposição dos funcionários em aceita-la.  

Referência: http://www.marceloromano.com.br/radiopeao.php 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Bate Papo Informal - Valéria Lopes

Por Jéssica Medeiros

No bate papo desta semana conversamos com a profissional Valéria de Siqueira Castro Lopes, professora da Faculdade Cásper Líbero, responsável pela disciplina "Pesquisa de Opinião e de Mercado", que nos mostra como esse instrumento de Relações Públicas está presente na comunicação informal.

Conversando sobre comunicação: É muito difícil em uma primeira pesquisa identificar quanto os funcionários estão alinhados à cultura organizacional?
Valéria Lopes: Não, se essa pesquisa tiver sido bem elaborada, se esse questionário de fato contemplar todos os aspectos de cultura que são relevantes, que precisam ser identificados, você consegue. Imagino que não haja nenhum problema em uma primeira pesquisa a ponto de você falar: " não consegui obter essas informações".

Conversando sobre comunicação: Quais os meios informais de coleta de dados em uma pesquisa de clima organizacional?

Valéria Lopes: Pesquisa tem que ser formal, metodologicamente construída, com procedimentos pré-estabelecidos. O que podemos fazer é uma sondagem, conversar informalmente com as pessoas e com essa sondagem, tirar algumas informações prévias que podem orientar na elaboração do questionário em uma pesquisa quantitativa, sendo aplicada aos demais colaboradores. É possível que se faça uma sondagem, mas não é o mais adequado. Se você não tem informação alguma, o ideal é que você faça primeiro uma qualitativa, que vai ser conduzida obviamente da mesma maneira, conversando, mas de forma mais estruturada, que você tem um projeto por trás, que entra a coleta de dados, então o resultado é mais assertivo.

Conversando sobre comunicação: Como a comunicação informal pode ajudar a melhorar o clima dentro da organização?
Valéria Lopes: A gente sempre associa comunicação informal ao negativo, à rádio peão por exemplo. Mas, acho que a comunicação informal, se for bem trabalhada, pode ajudar o clima na medida em que propicia a aproximação das pessoas, quebra barreiras, traz um ambiente agradável de trabalho. O único problema é quando você tem que trabalhar comunicação informal para outros propósitos que não seja motivação. Se for pensar em disseminação de informação ela já não é tão adequada, nesse caso precisamos de canais formais mais estruturados para isso. Se for no sentido de criar um sentimento de pertencer, no trabalho de motivação, de engajamento dos colaboradores, acredito que a comunicação informal pode ser bastante útil.

Conversando sobre comunicação: Qual o grau de dificuldade para identificar os problemas de uma organização com comunicação interna pouco estruturada?
Valéria Lopes: Acho que não é difícil você identificar o problema de comunicação interna numa empresa. Na verdade, eles são facilmente identificados já no briefing. No primeiro contato com o cliente a gente consegue perceber isso. Aí a pesquisa vai ser obviamente bastante importante, porque ela vai trazer a percepção do funcionário, que é o outro lado desse processo, dessa relação. Não vejo como algo difícil de identificar, a pesquisa consegue trazer essas informações facilmente.

Conversando sobre comunicação: Você acredita que em uma entrevista em profundidade com um líder informal é possível captar mais informações?
Valéria Lopes: Vai depender muito, porque a princípio você pode imaginar que por ser um líder formal, por estar numa linha de comando, ocupar um cargo, ter responsabilidades, ele se sente um pouco constrangido de falar determinadas coisas. Ele representa a organização, tem que zelar por essa representação dele. No entanto, você pode ter um líder informal também muito constrangido em falar determinadas coisas, pois ele pode se sentir ameaçado, por mais que ele tenha a liderança do grupo, pode não querer se expor. Isso é muito relativo, acho que a pesquisa tem que garantir de fato o anonimato. Se tanto um quanto o outro tiver a certeza de que as informações que ele está disponibilizando não vão ser associadas a ele como fonte, se ele não for identificado como a fonte daquelas informações, tanto um quanto o outro tem chance de trazer informações bastante ricas para construir o cenário.

O Conversando sobre comunicação agradece a contribuição dada pela profissional Valéria Lopes para o tema abordado neste post.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A comunicação informal na formação da cultura das organizações

Por Luisa Petry

A cultura organizacional é formada pelo conjunto de valores, princípios, crenças, políticas e hábitos adotados por sua empresa. Todos seus colaboradores devem segui-la como norte, como guia de seu trabalho diário. A cultura dominante tem uma visão macro da organização e trata de valores centrais a serem considerados no desenvolvimento de atividades e/ou prestação de serviços. A existência de padrões, modelos e normas, permite a interação de pessoas e é necessária quando há objetivos comuns a serem alcançados.

No entanto, existem também as subculturas, que podem estar relacionadas umas com as outras ou concorrerem entre si no ambiente corporativo. Nestas subculturas, são incluídos valores particulares de um grupo, equipe ou departamento, que não podem fugir à regra dos valores centrais da empresa. A cultura faz parte da essência da organização, é um elemento característico dela. Alterá-la não é tarefa fácil, uma vez que, além das culturas serem geralmente fortes e enraizadas, elas provocam transformações muito profundas no ambiente e nas pessoas. 

A cultura ajuda na resolução de problemas internos, diminuição de conflitos e diferenças, faz o controle da gestão e desenvolve uma imagem positiva da organização. A única desvantagem que uma cultura organizacional pode trazer é impedir, de alguma forma, que a empresa avance, sendo inflexível a mudanças e diversidades que surgirem.

E onde está a comunicação informal nisso tudo? Simples: é por meio das redes informais de comunicação que são expressos os sentimentos do público interno e, por isto, essa rede deve ser considerada como parte da cultura organizacional. A informalidade não é controlada pela administração e tem mais credibilidade perante os colaboradores do que os comunicados formais emitidos pela alta gestão. Ela ajuda as pessoas a ficarem unidas, a desabafarem, a transmitirem preocupações e a preencher vazios no sistema de comunicação formal. Por isso, a comunicação informal pode ser considerada como um processo coletivo de produção de sentidos, que é uma das características de formação da cultura, e não apenas como um sistema de informações a serem ignoradas. 

Para Marchiori, "(...) a cultura se forma através dos grupos e da personalidade da organização. Os grupos se relacionam, desenvolvendo formas de agir e ser, que vão sendo incorporadas por todos. A partir do momento que várias pessoas passam a agir de maneira ‘coletiva’, automaticamente a cultura está enraizada e incorporada".

Este relacionamento se deve, principalmente, pela notoriedade da comunicação informal feita por estes grupos dentro das organizações.